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segunda-feira, 15 de abril de 2013

TORRES DEL PAINE

Puerto Natales no Chile é o ponto de partida mais próximo para se conhecer o parque nacional de Torres del Paine.
Para chegar a Puerto Natales, foram mais de 12 horas de viagem desde Ushuaia de onde saimos ainda pela manhã,
pois parte do caminho de ida deve ser refeito até o entrocamento com a entrada da balsa do estreito de Magalhães.



Então serão novamente duas fronteiras
a atravessar mais a balsa e os mais de 400 Km de estrada chilena até Puerto Natales
onde chegamos quase as 10 horas da noite na hospedagem que a Dinira havia reservado via Booking, Hospedagem Sandra.
Na verdade a hospedagem é a casa de um casal de senhores que alugam alguns quartos no andar de cima onde fica uma área isolada para os hóspedes. Não era o lugar mais limpo que já vi na minha vida, mas as camas eram boas e o aquecedor forte o que amenizou o frio que fez na madrugada 0,4ºC.



Na manhã seguinte partimos rumo a Torres del Paine, parque que fica a mais de 100 Km de distância e que nos deixou perdidos na estrada pois o GPS não reconhecia aquela área e haviam várias placas indicando direções diferentes para a entrada do parque. Como da última vez que estive aqui eu fui visitar o parque em uma mini excursão contratada em Puerto Natales, não me preocupei em decorar o caminho.
Na verdade as várias placas indicavam as diversas portarias que tem o parque e acabamos entrando pela portaria da Laguna Amarga.










Andar pelo parque já é um passeio a parte, as paisagens, lagos e montanhas encantam a cada curva da estrada, fora os animais que viamos todo o tempo...





A primeira parada foi na Cachoeira de água esverdeada originária do desgelo do topo das montanhas.
Desde onde se deixa o carro há uma caminhada de aproximadamente 500 metros, nada que assustasse se não fosse o vento alucinante. Assim que paramos o carro já chamou atenção a placa que informava que o local era área de fortes ventos.
Mesmo antes de descer, enquanto nos preparávamos, pudemos ter ideia da força dos ventos pois o carro balançava como se estivéssemos andando, isso sem falar no barulho que fazia, realmente assustador. Foi o suficiente para a Luiza começar a chorar com medo do vento.
Convencê-la a sair do carro já foi por sí só, uma tarefa difícil, fazê-la andar então......impossível.
Lá vou eu, tentando me equilibrar com ela nos ombros e o vento tentando derrubar os dois.
Ao chegarmos a Luiza disparou a chorar, agora com medo forte barulho que a cachoeira fazia e gritava que nos íamos cair dentro dela........foi difícil acalma-la, e tivemos que nos revezar para poder chegar mais perto da cachoeira.
A volta para o carro foi mais fácil, já que o vento dessa vez soprava forte e a favor.......











Seguimos com pressa para o Lago Grey, que ficava a 42 Km de distância de onde estávamos. No parque as distâncias são sempre muito grandes.
Nesse lago há uma grande glacial de onde se desprendem vários icebergs que por força do vento vem parar na praia. Todos de um azul muito forte e muito bonito.
Novamente a caminhada até a praia era de uns 500 metros e mais outros 500 pela praia de pedras para chegar perto dos icebergs e seriam mais outros 500 pelo menos para que conseguissemos um ângulo de visão para todo o glacial. Paramos pela praia mesmo pois carregar os mais de 15 kilos da Luiza de volta seria muito complicado, mas valeu a visita.







Saimos da cidade quase uma hora da tarde, pois deviamos gravar a entrevista semanal para o programa da rádio CBN ao meio dia e demoramos quase duas horas de viagem até a portaria de Laguna Amarga, graças também ao bom trecho em estrada de rípio que pegamos.

A saída do lago Grey já foi no começo da noite e 96 Km de estrada sem asfalto e extremamente deserta nos esperavam até o asfalto de onde seriam mais 26 até a cidade.

Curvas e mais curvas além dos animais que cruzavam a frente do carro não deixavam a gente ir além dos 50 Km por hora, mesmo nos trechos em que a estrada dava condição para isso.

Sentia o carro pesado se arrastando pela estrada e para qualquer lado que se olhava era só escuridão absoluta. Durante todo o trecho cruzamos somente com 3 carros. A Dinira sempre preocupada nessas ocasiões ficou bastante apreensiva e eu só torcendo para não furar um pneu naquela escuridão total.

Chegamos salvos e famintos na cidade e paramos no primeiro restaurante que vimos para uma massa e um vinho para esquentar.

Ao sair do restaurante debaixo de chuva e muito frio, lá estava o carro com o pneu trazeiro furado e completamente vazio.

Por um instante fiquei "p" da vida, mas na hora fiquei pensando como seria se o pneu tivesse esvaziado no meio daquela estrada completamente deserta....... muita sorte.

Sem muito o que fzaer e esgotado devido ao longo dia, pegamos um táxi e deixei o problema para o dia seguinte.

Passei a noite quase em claro imaginando o trabalho que daria tirar toda a bagagem da caçamba para conseguir chegar no macaco e trocar aquele pneu que pesa uma tonelada.......

De manhã, acordei cedo e logo escutei o barulho da chuva caindo lá fora.....olhei no termômetro e marcava míseros 4ºC....... o jeito foi ficar pensando que se fosse  na noite anterior na estrada seria bem pior.

Pouco antes de sair, a Dinira me lembrou do presente que o amigo Roberto Garcia (barata) havia me dado antes da nossa partida, um compressor portátil.

Lembro que ele ainda falou que era um presente que ele esperava que não fosse usado.
Se o bichinho funcionar, e tiver força suficiente para a pressão de um pneu desse tamanho, daria para ir rodando até um borracheiro......seria o melhor dos mundos.
E lá fui eu, correndo pelas ruas da cidade (não por esporte, mas porque todos os meus casacos tinham ficado dentro do carro) até o carro e mesmo na chuva tirei toda a bagagem da caçamba até chegar na caixinha do compressor e coloquei o bichinho para funcionar, com o motor do carro ligado para não descarregar a bateria.

Quase chorei de alegria  quando vi o pneu subindo....

Coloquei as coisa dentro do carro de qualquer jeito e me joguei pela cidade atrás de uma borracharia antes que o pneu esvaziasse de novo.

Aí começo o outro problema; eram pouco mais de 9 da manhã e nada na cidade abre antes das 11 da manhã (acredito eu que seja pelo frio intenso por aqui).

Rodei a cidade toda e só na terceira tentativa consegui uma borracharia onde havia em senhor que pediu que eu aguardasse ele se trocar, pois havia acabado de acordar (era na garagem da casa dele).


Meia hora depois já estava com o pneu trocado e voltando para o alojamento onde a Dinira e a Luiza me esperavam para sairmos para El Calafate....

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