VÍDEOS - RODANDO O MUNDO

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quarta-feira, 22 de maio de 2013

FRONTEIRA BOLÍVIA (VILLAZÓN) - ARGENTINA (LA QUIACA)

Toda fronteira é complicada, pois vários fatores envolvem a travessia, mesmo nas fronteiras mais remotas na cordilheira entre Argentina e Chile, onde imaginei ser tranquilo e rápido, fomos submetidos a uma revista mais rigorosa, mas essa fronteira bateu todos os recordes de fiscalização e demora.
Foram mais de três horas nos procedimentos burocráticos de saída da Bolívia e entrada na Argentina.
Os procedimentos em todas as fronteiras seguem a seguinte ordem:
1- imigração do país de saída
2-aduana do país de saída
3-imigração do país de entrada
4-aduana do país de entrada

1 - SAÍDA DA BOLÍVIA
Nessa fronteira a imigração do lado Boliviano foi tranquila, em pouco mais de 10 minutos e algumas perguntas estava com os carimbos de saída nos passaportes. Nas fronteiras mais movimentadas, perigosas ou muito frias, a Dinira e a Luiza sempre ficavam no carro e eu descia para fazer a burocracia. Normalmente resolve-se assim, mas em algumas vezes os funcionários exigiam a presença de todos, principalmente no Chile. Nessa fronteira não solicitaram a presença delas.

2 - ADUANA DA BOLÍVIA
Na entrada de cada país, é necessário fazer uma "importação" do carro, ou seja, o funcionário responsável pela aduana faz um documento com os dados do proprietário e do veículo, dando um prazo para que o carro saia do país.
Em caso de ultrapassar esse prazo, cada país tem uma regra, normalmente uma multa em dinheiro. Na Bolívia a regra é o confisco do veículo pelo governo.
Fiquei cerca de 50 minutos na fila da aduana com meus documentos na mão aguardando minha vez e quando apresentei o documento de importação o caboclo pegou o papel, olhou para minha cara, amassou o documento e jogou no cesto ao lado da mesa e me liberou em seguida.
Claro que fiquei "P" da vida por ter ficado tanto tempo em uma fila para nada, mas essa etapa estava resolvida.

3-IMIGRAÇÃO ARGENTINA
Essa era a quinta entrada na Argentina nessa viagem, portanto conhecia bem os procedimentos. Apresentei os passaportes e o documento do carro na imigração (não sei porque do documento do carro, mas em todas as fronteiras me exigiram isso na imigração) e o soldado me mandou ir a aduana para providenciar uma documento para o veículo. Argumentei que em  nenhuma das vezes me pediram isso, que só na aduana, após a imigração, me providenciavam tal documento, mas não adiantou e fui jogado para a aduana Argentina.
Na aduana, como esperado, ninguém sabia qual o documento que o soldado exigia, já que meu carro pertencente ao mercosul não precisaria de tal declaração.
Simples assim, só que fiquei como uma bola de ping pong, sendo jogado de um lado para o outro até que solicitei ao soldado que perguntasse a alguém dentro da imigração sobre a necessidade desse documento, pois já estava sem saída, já que nenhum dos lados resolvia a questão.
Muito a contra gosto e me fulminando com os olhos, outro soldado foi chamado e ao analisar a situação, carimbou meus passaportes sem nenhuma pergunta, restando ao primeiro assistir a tudo com cara de tonto (que já era a cara normal dele).
Nisso tudo, quase duas horas já tinham passado e a Dinira e a Luiza dentro do carro na ponte que divide os dois países me aguardando e me vendo ser jogado de  um lado para o outro.

4- ADUANA ARGENTINA

Voltei pela quarta vez a aduana, mas dessa vez com o problema da imigração resolvido e começamos os procedimentos de importação do carro, que foi resolvido rapidamente, pois os dados do veículo já ficam registrados no sistema e o funcionário só inseri a fronteira e a data de entrada e saída (prevista).
Com o documento em mãos a funcionária me levou até outro agente que ficava na passagem dos veículo, que me solicitou que parasse o carro naquele local para a vistoria.
Corri para o carro, onde tranquilizei a Dinira, dizendo que só faltava a vistoria do carro para sermos liberados.
Estacionei o carro no local solicitado e sem olhar para minha cara o cidadão em questão me mandou tirar tudo do carro para ser revisado. Tentei argumentar que estava a três meses na estrada e tinha muitas caixas com bagagem, mas não adiantou, tive que tirar absolutamente TUDO de dentro do carro.
Lógico que o caboclo nem olhou e depois de uma vista por cima e abertura de algumas malas, foi para o escritório e voltou com um labrador que foi colocado para cheirar o carro inteiro a procura de drogas.
Feito isso fui autorizado a recolocar tudo dentro do carro de novo e estacionar o carro em um determinado lugar.
A Dinira tentou uma foto, mas foi ameaçada por um policial Argentino, pois alí não era permitido fotografar.
Outra grande bobagem, pois 30 metros atrás, antes da barreira é permitido fotos e qualquer máquina vagabunda consegue um zoom para aquela área.

Lá fui eu reorganizar toda a bagagem no carro, que  a essa altura estava toda espalhada na rua em plena fronteira onde milhares de pessoas passavam o tempo todo.
Tinhamos que conversar com o agente da aduana, olhar a bagagem no chão, para que nada fosse roubado ou colocado no meio da bagunça e olhar e dar atenção a Luiza ao mesmo tempo. Tarefa difícil e tensa.
Coloquei o carro no local indicado, que depois pude ver que se tratava de uma "vala" onde o carro seria vistoriado por baixo.
Coloca o carro para a frente, coloca o carro para trás, mais para a frente, mais para trás e depois de mais meia hora de vistoria fui finalmente liberado da revista.

video

Chegando ao "hotel", já do lado Argentino" resolvi dar uma "tapa" no visual, pois devia estar com cara de bandido ou traficante internacional.

UYUNI - BOLÍVIA

Depois de Copacabana, deveríamos tomar uma decisão; seguir pela Bolívia até Uyuni, para visitar o maior deserto de sal do mundo ou desviar o caminho e voltar para o Chile onde as condições são bem melhores para viajar.

Já na saída de Copacabana um pedágio era cobrado em nome da conservação da cidade e uma taxa adicional, a título de colaboração,  me foi cobrada pela polícia sem motivos aparentes nem comprovantes.

Preparado para isso nas muitas viagens anteriores comecei a negociação que da minha parte começou no zero e da parte do policial em 100 bolivianos ( R$ 30,00) e que no decorrer das negociações acabou em 10 bolivianos (R$ 3,00).

A ideia inicial era resistir as tentativas de suborno, mas como iriamos encarar mais de 350 Km Bolívia adentro sem nenhuma informação sobre as condições das estradas, resolvi não prolongar muito e cedi pensando em ganhar tempo.

A técnica deles é a ameaça através de exigências de itens como 2 extintores, e triângulos de sinalização, kit de primeiros socorros, lençol branco para cobrir um eventual morto em acidente, etc.....

Vencido o primeiro pedágio seguimos rumo ao estreito de Tiquina por uma estrada bem conservada, mas com muitas curvas e que nos levou a mais de 4000 metros de altitude fazendo o carro de arrastar e nos sem poder respirar.

Esse primeiro trecho acaba no estreito de Tiquina que separa as comunidades de San Pedro  e San Pablo.
A travessia é feita em grandes barcos de madeira a um custo de R$ 12,00 para o carro e R$ 0,25 para as pessoas.
Alegando segurança, somente eu pude ir junto com o carro no barco maior e a Dinira e a Luiza tiveram que seguir em um pequeno barco de passageiros.









A travessia é tranquila e em pouco mais de 10 minutos estava do outro lado onde a Dinira e a Luiza já me esperavam.

Seguimos viagem e agora era hora de abastecer. Aqui começa outra bizarrice Boliviana.
O combustível para estrangeiros é quase 3 vezes mais caro do que para Bolivianos (enquanto o Uruguai paga o combustível dos estrangeiros para atrair turistas, a Bolívia quer espantá-los).
O preço do diesel para Bolivianos é de B$ 3,70 (R$ 1,12) e para estrangeiros B$ 9,55 ( R$ 2,90) e os postos são obrigados a emitir uma nota diferenciada para os estrangeiros.
Começa que nem todos os postos tem essa nota fiscal e com isso não tem autorização para vender para estrangeiros, depois os que tem vendem o combustível sem a nota por um preço intermediário e embolsam a diferença que deveria ser recolhida na forma de impostos.
No final o maior beneficiário disso tudo são os frentistas que lucram coma diferença cobrada. ( paguei B$ 7,00 por litro sem nota).
Outro grande problema é que um terço dos postos absolutamente não tem combustível para vender ou por ter um estoque pequeno só vendem 10 ou 15 litros; portanto de você vier de carro para a Bolívia tente manter seu tanque cheio, pois pode acontecer de você rodar muito antes de conseguir abastecer.

Passamos La Paz sem que tivéssemos que entrar na cidade, o que não nos poupou de percorrer grande parte da periferia causando uma péssima impressão.

As paradas policiais são uma obsessão por aqui, mas não por uma questão de segurança e sim como uma forma de arrecadação. Em cada pedágio (e não são poucos) todos os motorista tem que mostrar a licença para dirigir e por duas vezes o motorista a nossa frente deu dinheiro no lugar da licença, que foi embolsado sem nenhuma cerimônia pelo policial.

Em uma das paradas no pedágio (há vários pedágios, mas não sei porque você paga o primeiro e os seguintes vão carimbando seu boleto e não cobram nada), um dos policiais exigiu que eu mostrasse todos os documentos. Não satisfeito em ver que eu tinha tudo que ele pediu, começou a pedir os "ítens obrigatórios", a começar pelo pneu extra, 2 triângulos, e extintores (só um é obrigatório, mas eu levei 2) e me pegou no Kit de primeiros socorros.
Levamos uma caixa de remédios que passou tranquilamente como o Kit exigido, mas a alegação era que o Kit deveria estar à mão e não no "porta malas" pois caso acontecesse alguma coisa com algum dos ocupantes eu teria que agir rápido no socorro.
Patética a atuação do caboclo !!!!

Aleguei que antes de sair do Brasil consultei o Consulado Boliviano em São Paulo (não fiz ) e que me foi informado que deveria ter no carro, não especificando onde e que ele estava indo contra as orientações do Consulado.

A fila de carros e caminhões se formava atrás de nós (estava parado no meio da rodovia no único guichê do pedágio bloqueando a estrada) e logo começaram o buzinar (aqui eles buzinam por qualquer coisa, inclusive para a polícia), e pressionado o policial acabou nos liberando e sem cerimônia virou para os outros policias e fez um sinal de negativo, como quem diz: não consegui nada !!!.

Dormimos e Oruro onde chegamos sem hotel reservado no horário de saída do trabalho.
Rodamos cerca de uma hora e meia pelas estreitas ruas da cidade até encontrar um hotel onde havia uma garagem disponível ( 4 quadras).

No dia seguinte seguimos direto para Uyuni, mas antes aguardamos o horário para a entrevista semanal para  o programa " CAMINHOS ALTERNATIVOS"  na rádio CBN coma  jornalista FABÌOLA CIDRAL, que deveria ser feita via fone as 11:30h (horário da Bolívia).

Finalizada a entrevista saimos correndo, pois não sabiamos quais as condições para rodas os 350 Km até
Uyuni e logo na saída da cidade nos deparamos com o primeiro bloqueio de pedras e pneus queimados. Desci para tentar uma negociação para nossa passagem, mas de novo não foi possível.

Demos meia volta e seguimos os carros que tentavam fazer o mesmo percurso que nós, o que foi possível contornando algumas quadras, mas que devido as péssimas condições e o excesso de carros, ônibus, vans e caminhões, nos tomou mais de meia hora.

Voltando para a rodovia, andamos pouco mais de 5 Km e o segundo PARO era bem maior e nem quiseram me ouvir. Passagem negada !!!!

Novamente voltei e comecei a seguir os carros que tentavam como eu seguir pela rodovia.
O atalho dessa vez era difícil e muito longo e consumiu mais de uma hora para conseguirmos sair a poucos metros do outro lado da manifestação; no final foram duas horas para andar apenas 7 Km do nosso roteiro.

Na estrada de novo acelerei para que não anoitecesse antes de chegarmos a Uyuni.
Foram mais 3 paradas para que conseguisse abastecer e mais 2 paradas de "pedágio" nas pequenas comunidades por onde passamos (eles fecham a estrada com uma cancela improvisada e cobram um pedágio), e que consegui contornar sem ter que pagar.

Quando faltavam 190 Km para chegar a estrada acabou e se transformou um uma caminho de terra, areia, pedras e muitos buracos.
Consulando os mapas constatamos que o caminho era aquele mesmo, já que entre as opções que o google maps me dava, eu escolhi a de menor distância.





Com pouquíssimos carros cruzando nosso caminho, comecei a ficar com medo de um problema mecânico, pois as únicas "cidades" ou povoados que passamos tinham pouco mais de 20 casas de barro e sem nenhuma pessoa na rua.

Em um determinado trecho a estrada dava de cara com um rio que decidimos atravessar seguindo as marcas dos outros carros no chão, já que não tinha nenhuma informação a respeito. Tração 4 x 4 ligada, Dinira tensa e lá fomos nós atravessar aquele obstáculo que não se mostrou muito grande, mas que assustou bastante.

Anoiteceu e como nos imaginávamos ainda tinha muita estrada pela frente e só chegamos em Uyuni por volta das 8 e meia da noite cansados não só da estrada, mas em grande parte do strees gerado pela estrada.

Sem condições de escolher muito acabamos em um apartamento com cozinha e 2 quartos,um 6 estrelas para os padrões Bolivianos e por um preço que não nos assustou muito (R$ 100,00/ dia - caro para os padrões bolivianos) e que devido a cozinha nos fez economizar bastante na comida.

A primeira visita foi no cemitério de trens que fica na periferia da cidade, onde locomotivas e vagões eram abandonados após acidentes ou para serem trocados por máquinas mais modernas desde a década de 30.
Algumas máquinas eram sabotadas pelos índios locais que viam a ferrovia, construida entre os anos de  1888 e 1892, como uma invasão as suas terras.


















No dia seguinte seguimos para o Salar de Uyuni, o maior salar do mundo, com cerca de 12.000 Km², uma vez e meia a área do Lago Titicaca.
Há várias teorias sobre a formação do salar, mas a mais aceita é que o local fazia parte do aceano e após a elevação das cordilheiras e a evaporação das águas o sal ficou concentrado em profundidades que variam de 2 a 10 metros de puro sal.

Depois de conversar com algumas pessoas em Uyuni, resolvi que não iriamos com nosso carro para o salar, dado o desgaste que o sal poderia causar, além do guia que deveria ser pago.
Contratamos uma das diversas empresas que fazem o passeio de um dia, pelo salar e lá pelas 10:30h da manhã, saímos junto com mais 2 japoneses, um mexicano, um canadense e o motorista boliviano.
O percurso começa em um vilarejo cerca de 15 Km onde se faz uma parada na feira de artesanato e um pequeno museu.

 A parada seguinte já é dentro do salar, onde se faz o recolhimento do sal para o processamento e venda. O sal é acumulado em pequenos montes para secar e ser recolhido posteriormente.




Segue-se para o "hotel de sal", uma construção onde anteriormente funcionava um hotel e que foi fechado devido a contaminação que provocava no local.


Mais 15 minutos circulando em alta velocidade pelo sal, sem um destino aparente, chega-se a ilha do pescado, (uma ilha dentro do salar) uma reserva natural que preserva o ecossistema local com milhares de cactus gigantes. Po uma trilha se chega ao topo de onde se tem uma visão privilegiada de todo o salar.
A entrada para a ilha custa B$ 30,00 ( cerca de R$ 9,00) por pessoa.





Alí também é servido o almoço que está incluso no passeio (salada de tomate e pepino, quinua, carne de lhama, filet de frango e banana, acompanhado de água e refrigerante).

O próprio motorista prepara a refeição que é servida em uma mesa de sal, uma da diversas mesas que foram montadas no local para esse fim. Vários carros se alinham para a visita à ilha e o almoço.

O retorno é feito após uma hora de descanso após o almoço, que foi dedicada a construir castelos de sal com a Luiza e tirar algumas fotos.



















Voltamos já no final da tarde para Uyuni felizes por ter conhecido esse lugar maravilhoso e nos preparando para seguir viagem rumo a Argentina.